@PHDTHESIS{ 2026:120393995, title = {Padrões espaço-temporais e sociodemográficos de agravos nutricionais e alimentares da população brasileira}, year = {2026}, url = "https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/7178", abstract = "Os agravos nutricionais antropométricos e alimentares representam condições deletérias que impactam a qualidade de vida e futuro de indivíduos e populações. Usualmente, ambos estão intrinsecamente ligados, uma vez que o consumo alimentar inadequado de produtos industriais, como alimentos ultraprocessados (AUP), afeta o estado nutricio- nal. Ademais, por se tratarem de condições multifatoriais, elementos sociodemográficos também atuam sobre ambos. Dessa forma, esta tese analisou as condições sociodemo- gráficas que atuavam diretamente sobre o consumo de AUP na população brasileira ≥ 10 anos de idade (Artigo 1), assim como identificou as combinações de efeitos que au- mentavam ou reduziam o consumo de AUP e INMP em adultos brasileiros (Artigo 2). Além disso, analisou-se a tendência, progressão e fatores associados a internações por mortalidade provocada por desnutrição (Artigo 3) e a distribuição espacial do consumo de determinadas classes de AUP em quatro faixas etárias distintas por microrregiões bra- sileiras (Artigo 4). Para avaliar a relação entre preditores sociodemográficos e o consumo de ultraprocessados nas microrregiões brasileiras, empregou-se uma abordagem de mode- lagem hierárquica bayesiana. Inicialmente, a seleção de variáveis foi realizada por meio da técnica Spike-and-Slab, que permite a inclusão probabilística de covariáveis no preditor linear. A estrutura espacial foi analisada comparando cinco modelos (Nulo, Independente, CAR, BYM e BYM2) pelo Critério de Informação de Watanabe-Akaike (WAIC). O mo- delo BYM2 apresentou o melhor ajuste, permitindo decompor a variância residual em dois componentes: um efeito aleatório estruturado, que captura a dependência espacial entre vizinhos, e um efeito não estruturado, associado à heterogeneidade específica, ambos ponderados por um parâmetro de mistura. As análises foram executadas no ambiente R, utilizando o pacote Rstan para amostragem via cadeias de Markov Monte Carlo (MCMC) e o R-INLA para o cálculo do fator de escala da variância espacial. A convergência das cadeias foi assegurada pelo diagnóstico de Gelman-Rubin e pela inspeção dos traceplots. Esta estrutura estatística permitiu o controle da autocorrelação espacial e a identificação precisa dos determinantes sociodemográficos do consumo alimentar. Os resultados indi- cam uma elevada prevalência de consumo de alimentos ultraprocessados (AUP) no Brasil, com destaque para o público jovem (≤ 19 anos), que superou os adultos em todas as cate- gorias, especialmente em bebidas adoçadas com açúcar (BAA - 66,1%) e doces/biscoitos (59,1%). Espacialmente, observou-se maior probabilidade de consumo de BAA e doces no Centro-Oeste e Sudeste, enquanto salsichas e salgadinhos concentraram-se no litoral nordestino e região Sul.A seleção de variáveis por meio de Spike-and-Slab identificou o Programa Bolsa Família (PBF), o analfabetismo e a renda como os principais preditores. No modelo final (BYM2), microrregiões com maior adesão ao PBF apresentaram menores chances de consumo de BAA entre jovens (OR = 0, 86) e de carnes processadas entre adultos (OR = 0, 93), mas maiores chances de consumo de salgadinhos (OR = 1, 11).A análise dos efeitos aleatórios confirmou a existência de forte dependência espacial (λ ele- vado), indicando que o entorno geográfico influencia os padrões alimentares. Adultos apresentaram uma dispersão mais homogênea de consumo pelo território, enquanto, entre os jovens, os aglomerados de alto consumo foram mais localizados, reforçando a imple- mentação de políticas públicas regionalmente estruturadas existentes para o controle de AUP. Os achados revelam uma distribuição heterogênea do consumo de ultraprocessados no Brasil, com maior prevalência entre crianças e adolescentes, especialmente de bebidas adoçadas e doces. O impacto do Programa Bolsa Família foi dual: atuou como fator protetor no consumo de bebidas e salsichas, mas associou-se ao aumento do consumo de salgadinhos entre adultos. A análise espacial confirmou padrões regionais, com maior consumo concentrado no Sul e no Sudeste. Conclui-se que o ambiente socioeconômico e a idade moldam as escolhas alimentares, o que demanda políticas públicas regionalizadas que fortaleçam a educação nutricional e o acesso a alimentos in natura para mitigar as desigualdades em saúde.", publisher = {Universidade Federal do Maranhão}, scholl = {PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA/CCBS}, note = {DEPARTAMENTO DE SAÚDE PÚBLICA/CCBS} }