@PHDTHESIS{ 2025:1970103966, title = {Cartografia etnográfica das materialidades da presença negra no território da antiga República do Cunani (séc. XIX-XXI)}, year = {2025}, url = "https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/7162", abstract = "Na Amazônia, desde o início da invasão e colonização europeia emergiram conflitos pelo território. Especificamente as questões de limites de fronteira entre Brasil e França, na última década do século XIX, culminou na disputa por uma extensa área entre os rios Oiapoque e Araguari, que corresponde ao atual estado do Amapá. Na região contestada, diferentes grupos indígenas, quilombolas, mocambeiros, escravos, crioulos das Antilhas e das Guianas, brancos pobres, migrantes nordestinos, assim como trabalhadores- pescadores, garimpeiro, pequenos comerciantes, agricultores, soldados, desertores, prisioneiros, fugitivos, buscavam viver nesse território de liberdade. A fronteira como uma construção política e simbólica, fez parte da ideia de nação em iminência e de ações colonialistas internas. Nesse contexto, o Estado utilizou a arqueologia para o registro das materialidades e das populações presentes em áreas geográficas não oficialmente cartografadas. Assim, como as demais ciências modernas, a arqueologia se articulou com o colonialismo interno e o racismo. Ao participar da construção de uma identidade nacional, a arqueologia criou uma narrativa de pretensa visibilidade para o passado indígena e de implícita e explícita invisibilidade quanto a presença negra nessa região. Esses lugares, ou seja, territórios quilombolas, revelam no presente, lutas, resistência, interações e formas de pensamento ativadas pela presença do mundo material, que diferem da sociedade nacional envolvente. Como ponto de convergência, a pesquisa de tese partilhou a experiência da vila do Cunani, conhecida na historiografia como quilombo Cunani ou República do Cunani, o ponto focal nas discussões sobre o Contestado Franco-Brasileiro. O objetivo principal desta pesquisa foi produzir uma cartografia das materialidades da presença negra no antigo território do Contestado Franco-Brasileiro (Séc. XIX-XXI). Como fontes da pesquisa foram utilizadas a oralidade e as materialidades arqueológicas do passado e do contemporâneo que se entrelaçam às histórias dessas pessoas. A pesquisa foi pautada em metodologias como a história oral, a etnografia apropriada pela arqueologia e o mapeamento como registro das informações. Como contra-narrativa, emergiram na pesquisa, a arqueologia histórica e a arqueologia da diáspora africana, em consonância com a perspectiva colaborativa. A pesquisa no território da comunidade quilombola do Cunani possibilitou a produção de várias cartografias referentes às materialidades, articuladas às categorias como lugares, objetos, celebrações, formas de expressão e saberes, tendo como base a memória e a oralidade. Assim, a pesquisa de tese realizada na região do Cunani contribuiu ao situar na linha do tempo a presença negra no antigo território do Contestado Franco-Brasileiro (Séc. XIX- XXI) que foi apagada pela arqueologia colonialista.", publisher = {Universidade Federal do Maranhão}, scholl = {PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA/CCH}, note = {DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA/CCH} }