@MASTERSTHESIS{ 2026:783908687, title = {Documentário como acontecimento: raça, gênero e os sentidos do amor e afetividade em vozes negras}, year = {2026}, url = "https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/7131", abstract = "Esta pesquisa analisa, a partir da vertente materialista da Análise do Discurso, a construção discursiva da afetividade de mulheres negras no documentário Sobre Nós (2021). O trabalho investiga como os sentidos sobre amor, desejo e cuidado são atravessados por uma memória discursiva colonial que articula raça, gênero e classe, e como esse arquivo histórico é tensionado por testemunhos que constituem um “nós” político de resistência. O corpus é constituído por recortes que consideram a imbricação material entre verbal, visual, sonoro e gestual (Lagazzi, 2011), tratando o documentário como um acontecimento discursivo que projeta novas asserções sobre o mundo (Ramos, 2008). A fundamentação teórica dialoga com conceitos da AD de memória discursiva e interdiscurso (Pêcheux, 2014; Courtine, 2009) e de lugares de enunciação (Zoppi-Fontana, 1999) e com as contribuições sobre feminismo negro (Gonzalez, 2020; hooks, 2021; Davis, 2016) e de pesquisadores da área da AD (França, 2024; Cestari, 2015; Modesto, 2021). A análise se desdobra em três eixos: Primeiramente, examina a economia racial do afeto, demonstrando como discursos hegemônicos naturalizam hierarquias que conferem à branquitude afetos públicos, enquanto confinam a mulher negra aos espaços do preterimento e da objetificação sexual privada. Em seguida, focaliza os mecanismos de negação do racismo e a regulamentação necropolítica dos corpos (Mbembe, 2018), textualizando como afetos e o medo atuam como tecnologias de sujeição em um circuito afetivo político (Safatle, 2024). Por fim, investiga as estratégias de resistência e cura coletiva, onde a enunciação em primeira pessoa e a ressignificação de estereótipos operam como gestos de aquilombamento (Nascimento, 2006), projetando sentidos a partir de uma leitura sensível (Neckel, 2015). As conclusões apontam que o documentário funciona como um dispositivo sensível de denúncia e reinvenção, onde a experiência íntima é convertida em ato político. Ao dar visibilidade ao custo psíquico e físico da opressão, e ao projetar narrativas de cuidado insurgente, a obra desloca sentidos estabilizados e disputa a humanidade plena da mulher negra no campo da afetividade. A pesquisa contribui, assim, para compreender os processos discursivos que naturalizam violências estruturais e, simultaneamente, para abrir as brechas a partir das quais se constroem epistemologias afetivas dissidentes.", publisher = {Universidade Federal do Maranhão}, scholl = {PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS - Campus Bacabal}, note = {DEPARTAMENTO DE LETRAS/CCH} }