@MASTERSTHESIS{ 2026:941845066, title = {A presença do teatro de William Shakespeare no romance de Machado de Assis pela perspectiva da teoria mimética de René Girard}, year = {2026}, url = "https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/6915", abstract = "Este trabalho investiga a ressonância do teatro de William Shakespeare na ficção de Machado de Assis, tomando como eixo central a teoria do desejo mimético, formulada por René Girard. A pesquisa analisa de que modo Machado se apropria, desloca e ressignifica modelos shakespearianos, em especial aqueles ligados à representação do ciúme, da rivalidade e da violência simbólica. O corpus principal é constituído pelas peças Hamlet, The Tempest e Othello, as quais são cotejadas com os romances Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro. Essas obras, embora separadas por contextos históricos, culturais e estéticos distintos, convergem na tematização de impasses humanos decorrentes da mediação das aspirações de seus personagens. O objetivo geral do estudo consiste em compreender como a presença shakespeariana se manifesta na obra machadiana a partir de temas como a confluência entre trágico e cômico, a incitação mimética e o desejo amoroso voltado para a fatalidade. Não propomos esse diálogo como simples influência ou imitação, mas como um procedimento de emulação crítica, por parte do autor brasileiro. Como problema de pesquisa, questiona-se de que maneira o desejo mimético, entendido como sugerido por um Outro, conforme orienta Girard (2009) em Mentira romântica e verdade romanesca, fundamenta as relações entre os personagens centrais dessas obras e quais são os efeitos dessa dinâmica na construção do enredo de cada texto. Do ponto de vista teóricometodológico, o trabalho fundamenta-se, sobretudo, na teoria mimética de René Girard (2010; 1990), especialmente em Shakespeare: teatro da inveja e Coisas ocultas desde a fundação do mundo, articulada a contribuições da crítica shakespeariana e machadiana. Destacam-se, nesse sentido, os estudos de Jan Kott (1998), Shakespeare nosso contemporâneo, que ressaltam a atualidade de Shakespeare, de Antonio Candido (2006; 1977), em Literatura e sociedade e “Esquema Machado de Assis”, no que se refere à formação da literatura brasileira e de aspectos centrais da ficção machadiana. Os estudos de João Cezar de Castro Rocha (2013; 2017) também são de suma importância para esta pesquisa, no que tange às práticas de emulação e apropriação crítica. Tais referenciais permitem situar Machado de Assis como um escritor que dialoga ativamente com a tradição ocidental, ao mesmo tempo em que a subverte a partir de sua posição histórico-cultural. Os resultados da pesquisa indicam que as obras analisadas se organizam a partir de relações triangulares de desejo, nas quais a figura do mediador desempenha papel central na intensificação da rivalidade, da vaidade e do ciúme. Contudo, enquanto a tragédia shakespeariana conduz à violência explícita e à expiação sacrificial, o romance machadiano desloca esse conflito para o plano da linguagem, da memória e da instabilidade narrativa. Conclui-se, assim, que a presença de Shakespeare em Machado opera como estratégia criativa e crítica, por meio da qual modelos trágicos são reinscritos para dar forma às tensões morais, sociais e subjetivas do Brasil oitocentista, confirmando a vitalidade dos clássicos e sua capacidade de produzir novas leituras ao longo do tempo (Calvino, 1993).", publisher = {Universidade Federal do Maranhão}, scholl = {PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS - Campus Bacanga}, note = {CLPF - COORDENAÇÃO DO CURSO DE LETRAS - PORTUGUÊS E FRANCÊS/CCH} }