@MASTERSTHESIS{ 2026:938872075, title = {DINÂMICA TEMPORAL DO USO E COBERTURA DA TERRA E SUAS RELAÇÕES COM O FOGO EM TERRAS INDÍGENAS DO ESTADO DO MARANHÃO (1985-2023)}, year = {2026}, url = "https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/6888", abstract = "As Terras Indígenas desempenham papel estratégico na conservação ambiental e na manutenção da sociobiodiversidade, especialmente em regiões de transição ecológica submetidas a intensas pressões antrópicas. Inserido nesse contexto, o estado do Maranhão localiza-se entre os biomas Amazônia e Cerrado e integra a fronteira agrícola do MATOPIBA, onde a expansão agropecuária, o desmatamento e o uso intensivo do fogo têm provocado profundas transformações no uso e na cobertura da terra. Diante desse cenário, esta dissertação tem como objetivo analisar a dinâmica temporal do uso e cobertura da terra e suas relações com o fogo nas Terras Indígenas do estado do Maranhão, no período de 1985 a 2023. A pesquisa integrou técnicas de sensoriamento remoto, geoprocessamento e análise espacial no ambiente Google Earth Engine, utilizando séries históricas do MapBiomas (Coleção 9), MapBiomas Fogo (Coleção 3) e dados de desmatamento do PRODES/INPE. Foram analisadas as classes de formações florestais e savânicas, a recorrência do fogo, os anos críticos de perda de vegetação e de áreas queimadas, bem como estimadas as emissões de gases de efeito estufa associadas ao desmatamento e aos incêndios florestais, com base nas diretrizes do IPCC e no Nível Nacional de Referência de Emissões Florestais (FREL). Complementarmente, incorporaram-se dados sobre conflitos territoriais e violência contra os povos indígenas, obtidos a partir dos relatórios do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). Os resultados indicam que, embora as Terras Indígenas tenham mantido extensos remanescentes de vegetação nativa ao longo da série histórica, ocorreram perdas significativas associadas sobretudo às pressões externas. No período analisado, as Terras Indígenas perderam 185.327 hectares de vegetação nativa, dos quais 66,9% corresponderam a formações florestais e 33,1% a formações savânicas; ainda assim, esses territórios mantiveram 2.028.755 hectares de vegetação nativa em 2023, sendo 81,2% classificados como formações florestais. A recorrência do fogo apresentou padrões espacialmente concentrados, atingindo até 37 eventos por pixel ao longo da série histórica, com destaque para Terras Indígenas como Araribóia, Kanela e Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, e intensificação durante eventos climáticos extremos, como o El Niño de 2015–2016, período em que a Terra Indígena Araribóia registrou aproximadamente 200.652 hectares queimados, correspondendo a cerca de 48,5% de seu território. As estimativas de emissões revelaram que o fogo respondeu pela maior parcela das emissões de gases de efeito estufa, superando aquelas oriundas do desmatamento direto; entre 2013 e 2023, as emissões totais associadas ao fogo e ao desmatamento alcançaram aproximadamente 709 Mt CO₂eq, sendo cerca de 85% provenientes do fogo e 15% do desmatamento. A análise integrada evidencia a relação entre degradação ambiental, conflitos socioterritoriais e fragilização da governança territorial. Conclui-se que a proteção das Terras Indígenas no Maranhão transcende a conservação ambiental, sendo indissociável da garantia dos direitos territoriais e da valorização dos conhecimentos tradicionais, especialmente no contexto do Manejo Integrado do Fogo. Os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas que articulem monitoramento ambiental contínuo, governança territorial e estratégias integradas de gestão como meios para a mitigação do desmatamento, dos incêndios florestais e das emissões de gases de efeito estufa.", publisher = {Universidade Federal do Maranhão}, scholl = {PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA (PPGGEO)}, note = {DEPARTAMENTO DE GEOCIENCIAS/CCH} }