@MASTERSTHESIS{ 2025:531733308, title = {Loucura e depressão em “A escrava” e Ponciá Vicêncio: aspectos psicopatológicos, percursos e diálogos pós-coloniais}, year = {2025}, url = "https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/6777", abstract = "Esta dissertação teve como objetivo analisar os aspectos psicopatológicos da loucura e da depressão nas obras “A Escrava” e Ponciá Vicêncio, à luz dos fundamentos da teoria do discurso pós-colonial. Em ambas as narrativas, observou-se que os contextos colonial e neocolonial atuam como catalisadores de reações neuróticas e psicóticas — manifestadas por meio da loucura e da depressão — nas protagonistas Joana e Ponciá. Esses transtornos são compreendidos como respostas subjetivas à lógica opressora da colonialidade, que marca os corpos negros com traumas históricos, epistêmicos e simbólicos. A partir de uma perspectiva fenomenológica e decolonial, esta pesquisa qualitativa traçou um panorama histórico que se estende desde a Modernidade e o auge do colonialismo até os desdobramentos contemporâneos da colonialidade do poder (Quijano, 1992), focalizando seus impactos psíquicos em sujeitos racializados e subalternizados. A abordagem adotada foi interepistêmica, promovendo um diálogo entre teóricos pós-coloniais — como Frantz Fanon (2020), Gayatri Spivak (2010), Stuart Hall (2023) e Aimé Césaire (2020) — e pensadores latino-americanos da vertente decolonial, como Aníbal Quijano (1992), Enrique Dussel (1993), María Lugones (2014), Walter Mignolo (2010) e Lélia Gonzalez (2020). A análise propôs uma leitura crítica da zona psíquica do sujeito colonizado, com ênfase nos mecanismos de sofrimento mental engendrados pela violência epistêmica e pelas estruturas de dominação racial, de gênero e de classe herdadas da colonização. Como resultado, verificou-se que tanto Joana quanto Ponciá encarnam formas de sofrimento mental que não podem ser dissociadas das marcas históricas da colonialidade. A loucura e a depressão, nesses casos, não se configuram apenas como categorias clínicas, mas como expressões de resistência subjetiva e modos de denúncia das violências estruturais que atravessam os corpos negros. A pesquisa evidenciou, ainda, a potência da literatura como espaço crítico para a compreensão dos efeitos psíquicos da opressão colonial e como ferramenta de visibilização de vozes silenciadas. Diante da escassez de estudos que articulem psicopatologia e literatura sob essa perspectiva, este trabalho contribui para o fortalecimento dos diálogos interdisciplinares entre saúde mental, crítica pós-colonial e produção literária afro- brasileira.", publisher = {Universidade Federal do Maranhão}, scholl = {PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS - Campus Bacanga}, note = {DEPARTAMENTO DE LETRAS/CCH} }