@PHDTHESIS{ 2025:1141620177, title = {Prevenção do Câncer do Colo do Útero em um Município do Maranhão: Análise Epidemiológica e Avaliação das Barreiras e do Conhecimento em Comunidades Quilombolas}, year = {2025}, url = "https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/6708", abstract = "O câncer do colo do útero (CCU) configura-se como um grave problema de saúde pública, um processo lento e progressivo, envolvendo mudanças reversíveis no epitélio cervical, associadas à infecção pelo Papilomavirus humano (HPV - Human Papilloma Virus), cuja prevenção é desafiadora em populações vulnerabilizadas, como as comunidades quilombolas, que enfrentam desigualdades estruturais e barreiras socioculturais específicas. Esta pesquisa teve como objetivo analisar a prevenção do CCU no município de Codó - MA, a partir de uma abordagem dupla: uma análise epidemiológica municipal e um estudo aprofundado sobre conhecimento e barreiras em comunidades quilombolas. Para tanto, empregamos uma metodologia de métodos mistos, combinando um estudo epidemiológico descritivo e retrospectivo, baseado em dados do Sistema de Informações de Câncer (SISCAN) referentes ao período de 2018 a 2023, com um estudo de campo quanti-qualitativo, que integrou inquérito e observação participante junto a mulheres do Quilombo Santo Antônio dos Pretos. O estudo epidemiológico, baseado em 14.993 exames, revelou uma cobertura ineficiente com pico em 2019 de 12% na população-alvo (25 a 64 anos), muito abaixo da meta de 80% recomendada pela Organização Mundial da Saúde, com a maioria dos exames (99,87%) sendo para rastreamento inicial e não para seguimento. Complementarmente, o estudo com 33 mulheres quilombolas identificou barreiras críticas que explicam essa baixa adesão: 33,3% desconheciam a causa das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), 36,4% não sabiam os sintomas do HPV e 50% das que não realizavam o exame preventivo o faziam por não se sentirem doentes, evidenciando uma percepção de saúde focada na doença. Apesar de 75,8% terem realizado algum exame preventivo na vida, apenas 27,3% o fazem regularmente, e 42,4% nunca conversaram com um profissional sobre HPV ou ISTs. A análise estatística revelou uma forte correlação entre faixa etária e multiparidade (χ²= 17,849; p= 0,0013), refletindo o acesso historicamente limitado ao planejamento familiar. As barreiras identificadas foram estruturais (distância de 47 km e ausência de serviços locais), socioculturais (rotina de trabalho exaustiva, como a quebra de coco babaçu, e dificuldade de comunicação) e informacionais (linguagem técnica inadequada). A maioria das mulheres (75,8% era lavradora com renda inferior a R$ 1.000/ mês, refletindo vulnerabilidades que se sobrepõem. Conclui-se que a baixa adesão ao rastreamento do CCU transcende a disponibilidade do exame, sendo influenciada por desigualdades estruturais e barreiras socioculturais profundas que afetam desproporcionalmente as mulheres quilombolas. Os resultados reforçam a necessidade urgente de políticas públicas intersetoriais, territorializadas e culturalmente sensíveis para promover a equidade em saúde e fortalecer a autonomia das mulheres quilombolas na prevenção do CCU.", publisher = {Universidade Federal do Maranhão}, scholl = {PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE/CCBS}, note = {CCBL - COORDENAÇÃO DO CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS - LICENCIATURA/CCBS} }