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Tipo do documento: Dissertação
Título: Seja xereta: o ensino de ciências não-formal, território de resistência por meio da trajetória de Sônia Guimarães
Título(s) alternativo(s): Be curious: non-formal science education, a territory of resistance through the trajectory of Sônia Guimarães
Autor: CASTRO, Letícia Matos 
Primeiro orientador: SILVA, André Flavio Gonçalves
Primeiro membro da banca: SILVA, André Flavio Gonçalves
Segundo membro da banca: ARANHA, Carolina Pereira
Terceiro membro da banca: CANTANHEDE, Severina Coelho da Silva
Resumo: Esta dissertação analisa a trajetória acadêmica e profissional da professora Sônia Guimarães, primeira mulher negra doutora em Física no Brasil, interpretando-a como um território de resistência e reexistência no Ensino de Ciências. Parte-se da compreensão de que a ciência moderna foi estruturada sob bases eurocentradas, patriarcais e racistas, que historicamente excluíram mulheres negras dos espaços de produção de conhecimento. Assim, compreender e difundir a história de Sônia Guimarães é um gesto político e epistêmico de enfrentamento ao apagamento dessas presenças na história da ciência brasileira. A pesquisa, de natureza qualitativa, exploratória e interpretativa, fundamenta-se nos referenciais da interseccionalidade, das epistemologias decoloniais e do feminismo negro, com base em autoras como Crenshaw, Collins, Hooks, Gonzalez, Carneiro e Walsh. Utiliza-se a Análise Textual Discursiva (ATD) como metodologia, aplicada a três fontes principais: uma entrevista pública concedida pela cientista ao programa Provoca (TV Cultura, 2024), seu Currículo Lattes e um artigo biográfico de Katemari Rosa (2020), publicado pela ABPN. A análise discursiva revelou quatro metacategorias: Raízes e Despertar Científico, Docência e Invenção como Práticas de Resistência, Interseccionalidades na Ciência. Desafios e Enfrentamentos, e Legado e Futuro da Ciência Negra. Essas categorias evidenciam que a trajetória de Sônia é atravessada por enfrentamentos ao racismo institucional e ao sexismo acadêmico, mas também por práticas de invenção, solidariedade e compromisso com a transformação social por meio da educação. Sua presença na Física representa um marco histórico e pedagógico, abrindo caminhos para que outras mulheres negras possam se reconhecer como cientistas e educadoras. Como desdobramento prático e pedagógico da pesquisa, foi criado o Museu Virtual “Sônia Guimarães: Trajetória de uma Cientista Negra”, concebido como espaço digital interativo e decolonial, voltado à divulgação científica e ao empoderamento de meninas negras. O museu funciona como ferramenta de memória, visibilidade e formação crítica, promovendo práticas educativas antirracistas e de valorização de saberes plurais. Conclui-se que o Ensino de Ciências, quando atravessado por perspectivas interseccionais e decoloniais, pode se tomar um campo de resistência e transformação, rompendo silenciamentos e ampliando a representatividade na ciência. Ao valorizar a trajetória de Sônia Guimarães, este trabalho reafirma o papel das mulheres negras como produtoras de saber, memória e futuro, contribuindo para uma ciência brasileira mais plural, democrática e comprometida com a justiça social.
Abstract: This dissertation analyzes the academic and professional trajectory of Sônia Guimaràes, the first Black woman to earn a PhD in Physics in Brazil, interpreting her path as a territory of resistance and reexistence within Science Education. It is based on the understanding that modem science was structured upon Eurocentric, patriarchal, and racist foundations that have historically excluded Black women from spaces of knowledge production. Thus, understanding and disseminating Sônia Guimaräes's story is a political and epistemic act of confronting the erasure of Black women in the history of Brazilian science. The research is qualitative, exploratory, and interpretive, grounded in the theoretical frameworks of intersectionality, decolonial epistemologies, and Black feminism, drawing on authors such as Crenshaw, Collins, Hooks, Gonzalez, Carneiro, and Walsh. It employs Discursive Textual Analysis (DTA) as its methodology, applied to three main sources: a public interview given by the scientist to the Provoca TV program (TV Cultura, 2024), her Curriculo Lattes, and a biographical article by Katemari Rosa (2020) published by ABPN. The discursive analysis revealed four metacategories: Roots and Scientific Awakening; Teaching and Invention as Practices of Resistance, Intersectionalities in Science. Challenges and Confrontations; and Legacy and Future of Black Science. Thèse categories show that Sônia's trajectory is marked by confrontations with institutional racism and academic sexism, but also by practices of invention, solidarity, and commitment to social transformation through education. Her presence in Physics represents a historical and pedagogical milestone, opening pathways for other Black women to see themselves as scientists and educators. As a practical and pedagogical outcome of the study, a Virtual Museum titled “Sônia Guimaràes: Trajectory of a Black Scientist” was created. Conceived as an interactive and decolonial digital space, the museum aims to promote scientific dissemination and the empowerment of Black girls. It serves as a tool of memory, visibility, and critical education, fostering anti-racist pedagogical practices and the appreciation of plural knowledge systems. The study concludes that Science Education, when guided by intersectional and decolonial perspectives, can become a field of resistance and transformation, breaking silences and expanding representation within science. By valuing the trajectory of Sônia Guimaràes, this research reaffirms the role of Black women as producers of knowledge, memory, and future, contributing to the construction of a Brazilian science that is more plural, democratic, and socially just.
Palavras-chave: ensino de ciências;
interseccionalidade;
feminismo negro;
decolonialidade;
Sônia Guimarães;
museu virtual.
science education;
intersectionality;
black feminism;
decoloniality;
Sônia Guimarães;
virtual museum.
Área(s) do CNPq: Ensino-Aprendizagem
Educação
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade Federal do Maranhão
Sigla da instituição: UFMA
Departamento: COORDENAÇÃO LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO DO CAMPO - BACABAL/CAMPUS III
Programa: PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA/CCET
Citação: CASTRO, Letícia Matos. Seja xereta: o ensino de ciências não-formal, território de resistência por meio da trajetória de Sônia Guimarães. 2025. 77 f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática/CCET) - Universidade Federal do Maranhão, São Luís, 2025.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/6833
Data de defesa: 8-Dez-2025
Aparece nas coleções:DISSERTAÇÃO DE MESTRADO - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA/CCET

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