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Tipo do documento: Dissertação
Título: “A CIÊNCIA SE FAZ COM HISTÓRIA”: Trajetórias de mulheres pretas doutoras em Química no Maranhão
Título(s) alternativo(s): "SCIENCE IS MADE WITH HISTORY": Trajectories of Black women with PhDs in Chemistry in Maranhão
Autor: SILVA, Aline Roberta Santos Cardoso 
Primeiro orientador: ARANHA, Carolina Pereira
Primeiro membro da banca: ARANHA, Carolina Pereira
Segundo membro da banca: SILVA, André Flávio Goncalves
Terceiro membro da banca: SANTOS, Paloma Nascimento dos
Resumo: Esta dissertação investiga as trajetórias das primeiras mulheres pretas maranhenses que conquistaram o título de doutoras em Química, com o objetivo de compreender suas contribuições para a formação docente e os sentidos atribuídos à docência em suas experiências. O estudo está delimitado ao contexto maranhense e enfoca interseccionalmente os marcadores de gênero, raça e classe, considerando os atravessamentos históricos e sociais que moldaram os percursos dessas mulheres na ciência. A relevância da pesquisa reside na visibilização de saberes, práticas e resistências que costumam ser silenciados no campo acadêmico, tensionando a lógica hegemônica da produção de conhecimento científico. O referencial teórico articula os estudos feministas negros (como os de Angela Davis, Patricia Hill Collins, Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez), a perspectiva decolonial (como Frantz Fanon, Aníbal Quijano, Maria Lugones e Catherine Walsh) e a teoria da interseccionalidade proposta por Kimberlé Crenshaw, Carla Akotirene e Sirma Bilge. A metodologia adotada é qualitativa, de orientação fenomenológica (Bicudo), do tipo narrativa que envolveu entrevistas com duas professoras doutoras negras em Química. A Análise Textual Discursiva (ATD, das entrevistas gerou cinco categorias: (1) Origens, infância e caminhos de escolarização, que evidenciam experiências marcadas por privações materiais e racismo estético, mas também por uma valorização da educação como possibilidade de mudança; (2) Formação acadêmica e resistência institucional, que revela os enfrentamentos diante das barreiras raciais, linguísticas e estruturais no Ensino Superior e na pós-graduação; (3) Ser mulher negra na ciência: (in)visibilidade, desconfiança e reivindicação, que denuncia o estranhamento da presença negra na ciência e destaca os processos de afirmação identitária; (4) Práticas pedagógicas e compromisso com a transformação social, que mostra como essas docentes atuam com afeto, acolhimento e responsabilidade social, ressignificando o ensino de Química; e (5) Legados, subjetividades e (re)invenções, que aborda maternidade, adoecimento, arte e resistência afetiva como dimensões íntimas da vivência docente. Os resultados evidenciam a centralidade da docência como prática política e espaço de resistência, revelando saberes que desafiam a colonialidade do saber, do poder e do ser. As narrativas das participantes apontam para um compromisso ético com a transformação da educação e com a afirmação de suas identidades negras, inscrevendo suas existências como atos de reescrita da história e como inspiração para outras gerações. Desse modo, suas trajetórias constituem práticas de insurgência epistêmica, propondo novas formas de pensar e ensinar ciências a partir de lugares subalternizados, porém potentes.
Abstract: This dissertation investigates the trajectories of the first Black women from Maranhão to earn doctoral degrees in Chemistry, with the aim of understanding their contributions to teacher education and the meanings attributed to teaching in their experiences. The study is delimited to the context of Maranhão and focuses, through an intersectional lens, on the markers of gender, race, and class, considering the historical and social crossings that shaped these women’s paths in science. The relevance of the research lies in giving visibility to knowledges, practices, and forms of resistance that are often silenced in academia, challenging the hegemonic logic of scientific knowledge production. The theoretical framework brings together Black feminist studies (such as those of Angela Davis, Patricia Hill Collins, Sueli Carneiro, and Lélia Gonzalez), decolonial perspectives (such as Frantz Fanon, Aníbal Quijano, Maria Lugones, and Catherine Walsh), and the theory of intersectionality proposed by Kimberlé Crenshaw, Carla Akotirene, and Sirma Bilge. The methodology is qualitative, phenomenologically oriented (Bicudo), based on life history narratives and Discursive Textual Analysis (DTA), and involved interviews with two Black women professors holding doctoral degrees in Chemistry. The analysis of the interviews generated five categories: (1) Origins, childhood, and educational pathways, highlighting experiences marked by material deprivation and aesthetic racism, but also by the valorization of education as a possibility for change; (2) Academic training and institutional resistance, revealing the struggles against racial, linguistic, and structural barriers in higher education and graduate studies; (3) Being a Black woman in science: (in)visibility, mistrust, and assertion, denouncing the estrangement caused by Black presence in science and emphasizing processes of identity affirmation; (4) Pedagogical practices and commitment to social transformation, showing how these professors teach with care, empathy, and social responsibility, re-signifying Chemistry education; (5) Legacies, subjectivities, and (re)inventions, addressing motherhood, illness, art, and affective resistance as intimate dimensions of teaching experience. The results highlight the centrality of teaching as a political practice and a space of resistance, unveiling knowledges that challenge the coloniality of knowledge, power, and being. The participants’ narratives point to an ethical commitment to transforming education and affirming their Black identities, inscribing their existences as acts of rewriting history and as inspiration for future generations. In this way, their trajectories constitute practices of epistemic insurgency, proposing new ways of thinking and teaching science from subalternized, yet powerful, standpoints.
Palavras-chave: Epistemologias Negras;
Docência Insurgente;
Narrativas de História Vida;
Resistência Epistêmica;
Ciência e Racialização
Black Epistemologies;
Insurgent Teaching;
Life History Narratives;
Epistemic Resistance;
Science and Racialization
Área(s) do CNPq: Papéis e Estruturas Sociais; Indivíduo
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade Federal do Maranhão
Sigla da instituição: UFMA
Departamento: ENGT - COORDENAÇÃO DO CURSO DE ENGENHARIA DE TRANSPORTES/CCENGT
Programa: PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA/CCET
Citação: SILVA, Aline Roberta Santos Cardoso. “A ciência se faz com história”: Trajetórias de mulheres pretas doutoras em Química no Maranhão. 2025. 136 f. Dissertação( Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática/CCET) - Universidade Federal do Maranhão, São Luís, 2025.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/6718
Data de defesa: 29-Set-2025
Aparece nas coleções:DISSERTAÇÃO DE MESTRADO - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA/CCET

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