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Tipo do documento: Tese
Título: Prevenção do Câncer do Colo do Útero em um Município do Maranhão: Análise Epidemiológica e Avaliação das Barreiras e do Conhecimento em Comunidades Quilombolas
Título(s) alternativo(s): Prevention of Cervical Cancer in a Municipality of Maranhão: Epidemiological Analysis and Assessment of Barriers and Knowledge in Quilombola Communities
Autor: MIRANDA NETO, Pedro Agnel Dias 
Primeiro orientador: MONTEIRO, Silvio Gomes
Primeiro membro da banca: MONTEIRO, Silvio Gomes
Segundo membro da banca: SILVA DE AZEVEDO, Conceição de Maria Pedrozo e
Terceiro membro da banca: MONTEIRO, Cristina de Andrade
Quarto membro da banca: CABRAL, Flavia Castello Branco Vidal
Quinto membro da banca: ANDRADE, Marcelo Souza de
Resumo: O câncer do colo do útero (CCU) configura-se como um grave problema de saúde pública, um processo lento e progressivo, envolvendo mudanças reversíveis no epitélio cervical, associadas à infecção pelo Papilomavirus humano (HPV - Human Papilloma Virus), cuja prevenção é desafiadora em populações vulnerabilizadas, como as comunidades quilombolas, que enfrentam desigualdades estruturais e barreiras socioculturais específicas. Esta pesquisa teve como objetivo analisar a prevenção do CCU no município de Codó - MA, a partir de uma abordagem dupla: uma análise epidemiológica municipal e um estudo aprofundado sobre conhecimento e barreiras em comunidades quilombolas. Para tanto, empregamos uma metodologia de métodos mistos, combinando um estudo epidemiológico descritivo e retrospectivo, baseado em dados do Sistema de Informações de Câncer (SISCAN) referentes ao período de 2018 a 2023, com um estudo de campo quanti-qualitativo, que integrou inquérito e observação participante junto a mulheres do Quilombo Santo Antônio dos Pretos. O estudo epidemiológico, baseado em 14.993 exames, revelou uma cobertura ineficiente com pico em 2019 de 12% na população-alvo (25 a 64 anos), muito abaixo da meta de 80% recomendada pela Organização Mundial da Saúde, com a maioria dos exames (99,87%) sendo para rastreamento inicial e não para seguimento. Complementarmente, o estudo com 33 mulheres quilombolas identificou barreiras críticas que explicam essa baixa adesão: 33,3% desconheciam a causa das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), 36,4% não sabiam os sintomas do HPV e 50% das que não realizavam o exame preventivo o faziam por não se sentirem doentes, evidenciando uma percepção de saúde focada na doença. Apesar de 75,8% terem realizado algum exame preventivo na vida, apenas 27,3% o fazem regularmente, e 42,4% nunca conversaram com um profissional sobre HPV ou ISTs. A análise estatística revelou uma forte correlação entre faixa etária e multiparidade (χ²= 17,849; p= 0,0013), refletindo o acesso historicamente limitado ao planejamento familiar. As barreiras identificadas foram estruturais (distância de 47 km e ausência de serviços locais), socioculturais (rotina de trabalho exaustiva, como a quebra de coco babaçu, e dificuldade de comunicação) e informacionais (linguagem técnica inadequada). A maioria das mulheres (75,8% era lavradora com renda inferior a R$ 1.000/ mês, refletindo vulnerabilidades que se sobrepõem. Conclui-se que a baixa adesão ao rastreamento do CCU transcende a disponibilidade do exame, sendo influenciada por desigualdades estruturais e barreiras socioculturais profundas que afetam desproporcionalmente as mulheres quilombolas. Os resultados reforçam a necessidade urgente de políticas públicas intersetoriais, territorializadas e culturalmente sensíveis para promover a equidade em saúde e fortalecer a autonomia das mulheres quilombolas na prevenção do CCU.
Abstract: Cervical cancer (CC) is a serious public health problem, a slow and progressive process involving reversible changes in the cervical epithelium associated with infection by the human papillomavirus (HPV). Prevention is challenging in vulnerable populations, such as quilombola communities, which face structural inequalities and specific sociocultural barriers. This research aimed to analyze CCU prevention in the municipality of Codó - MA, using a dual approach: a municipal epidemiological analysis and an in-depth study on knowledge and barriers in quilombola communities. To this end, we employed a mixed-methods methodology, combining a descriptive and retrospective epidemiological study, based on data from the Cancer Information System (SISCAN) referring to the period from 2018 to 2023, with a quantitative-qualitative field study that integrated surveys and participant observation with women from the Santo Antônio dos Pretos Quilombo. This study aimed to analyze CCU prevention in Codó, Maranhão (Brazil), by integrating a municipal epidemiological analysis with an in-depth assessment of knowledge and access barriers in Quilombola communities. The epidemiological study, based on 14,993 tests, revealed inefficient coverage, peaking at 12% in 2019 in the target population (25 to 64 years old), well below the 80% target recommended by the World Health Organization. The majority of tests (99.87%) were for initial screening and not for follow-up. Additionally, a study with 33 women from quilombola communities identified critical barriers explaining this low adherence: 33.3% were unaware of the cause of sexually transmitted infections (STIs), 36.4% did not know the symptoms of HPV, and 50% of those who did not undergo preventive testing did so because they did not feel ill, highlighting a perception of health focused on disease. Although 75.8% had undergone some preventive examination in their lives, only 27.3% do so regularly, and 42.4% had never spoken to a professional about HPV or ISTs. Statistical analysis revealed a strong correlation between age group and multiparity (χ²= 17.849; p= 0.0013), reflecting historically limited access to family planning. The barriers identified were structural (distance of 47 km and absence of local services), sociocultural (exhausting work routine, such as breaking babaçu coconuts, and difficulty in communication), and informational (inadequate technical language). The majority of women (75.8%) were farmworkers with an income of less than R$ 1,000/month, reflecting overlapping vulnerabilities. It is concluded that the low adherence to cervical cancer screening transcends the availability of the examination, being influenced by structural inequalities and deep sociocultural barriers that disproportionately affect quilombola women. The results reinforce the urgent need for intersectoral, territorially-based, and culturally sensitive public policies to promote health equity and strengthen the autonomy of quilombola women in cervical cancer prevention.
Palavras-chave: Câncer de colo uterino;
Quilombolas;
Acesso Efetivo aos Serviços de Saúde;
Barreiras ao Acesso aos Cuidados de Saúde;
Papilomavirus Humano;
Saúde Sexual e Reprodutiva
Uterine Cervical Neoplasms;
Quilombola Communities;
Human Papillomavirus Viruses;
Effective Access to Health Services;
Barriers to Access of Health Services;
Reproductive Health
Área(s) do CNPq: Cancerologia
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade Federal do Maranhão
Sigla da instituição: UFMA
Departamento: CCBL - COORDENAÇÃO DO CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS - LICENCIATURA/CCBS
Programa: PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE/CCBS
Citação: MIRANDA NETO, Pedro Agnel Dias. Prevenção do Câncer do Colo do Útero em um Município do Maranhão: Análise Epidemiológica e Avaliação das Barreiras e do Conhecimento em Comunidades Quilombolas. 2025. 107 f. Tese( Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde/CCBS) - Universidade Federal do Maranhão, São Luís, 2025.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/6708
Data de defesa: 15-Dez-2025
Aparece nas coleções:TESE DE DOUTORADO - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE

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